Eu tive um Estado Melancólico Pós
Parto.
Segundo define a Medipédia “Este estado melancólico, que afeta 50 a 80% das mulheres
e que não deve ser confundido com a denominada depressão pós-parto,
caracteriza-se por bruscas alterações de humor, sensação de vulnerabilidade,
tendência para chorar com facilidade e uma frequente sensação contraditória de
perda que contrasta com a realização própria da gravidez e a alegria pelo
nascimento do novo ser, sobretudo quando se trata do primeiro filho.”
A EMPP é um estado de abatimento, uma alteração psicológica durante o período de puerpério.
As alterações do corpo e a não-aceitação do mesmo (no fim de sair da maternidade, eu acreditava que ia ficar igual no espaço de uma semana…já lá vão 3 meses e ainda tenho uma barriguinha de 2 meses), o sentimento de felicidade misturado com estranheza. Existe um novo ser na nossa vida, um estranho. Por mais ou menos desejado e planeado, não deixa de ser alguém que entra de rompante;
Choramos sem motivos;
Irritamo-nos em 0,03segundos;
Sentimos um vazio;
Dizemos que o bebé é lindo, mas tentamos
perceber o que ele significa nas nossas vidas;
Quando nos denominam por “mãe”, olhamos
para o lado para ver se a nossa mãe também está naquele local;
Uma auto-estima arrasada;
A rejeição ao toque do nosso
companheiro, porque estamos “deformadas”;
Crises de ansiedade, e muitas vezes por
coisas básicas;
Sensação de cansaço constante,
acompanhado de muita sonolência e diminuição da energia;
Entre estes, muitos mais.
Mas tudo isto é normal.
Vivemos numa sociedade hollywoodesca, onde
quando a mulher engravida, o parceiro vibra estonteantemente, ela encontra-se
sempre linda e maravilhosa com roupas resplandecentes. Quando o bebé nasce ela
tem um corpo imaculado e vivem todos numa felicidade de contos de fada. Pois
bem, a realidade, não é tão Woody Allen.
Para o nosso companheiro também é difícil
aceitar e compreender o nosso universo (já em estado “normal” o é), que muitas
das vezes o sentimento de partilha de felicidade só se dá quando o novo ser se
torna visível, palpável. Até há quem não se interesse tanto nos primeiros meses
de vida. Afinal só comem e dormem!
A gravidez e o nascimento são dos
momentos mais marcantes das nossas vidas. Quer positiva, quer negativamente.
Para isso aconselho a desabafarem, a fazerem-se entender a quem partilha estes
momentos.
E acima de tudo, antes de mães,
esposas, filhas, amigas, primas, sobrinhas e netas…somos Mulheres!
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