sábado, 16 de março de 2013

Estado Melancólico Pós Parto

Muitos falam, outros “teorizam”…mas poucas assumem.

Eu tive um Estado Melancólico Pós Parto.

Segundo define a Medipédia Este estado melancólico, que afeta 50 a 80% das mulheres e que não deve ser confundido com a denominada depressão pós-parto, caracteriza-se por bruscas alterações de humor, sensação de vulnerabilidade, tendência para chorar com facilidade e uma frequente sensação contraditória de perda que contrasta com a realização própria da gravidez e a alegria pelo nascimento do novo ser, sobretudo quando se trata do primeiro filho.”

A EMPP é um estado de abatimento, uma alteração psicológica durante o período de puerpério.

As alterações do corpo e a não-aceitação do mesmo (no fim de sair da maternidade, eu acreditava que ia ficar igual no espaço de uma semana…já lá vão 3 meses e ainda tenho uma barriguinha de 2 meses), o sentimento de felicidade misturado com estranheza. Existe um novo ser na nossa vida, um estranho. Por mais ou menos desejado e planeado, não deixa de ser alguém que entra de rompante;

Choramos sem motivos;

Irritamo-nos em 0,03segundos;

Sentimos um vazio;

Dizemos que o bebé é lindo, mas tentamos perceber o que ele significa nas nossas vidas;

Quando nos denominam por “mãe”, olhamos para o lado para ver se a nossa mãe também está naquele local;

Uma auto-estima arrasada;

A rejeição ao toque do nosso companheiro, porque estamos “deformadas”;

Crises de ansiedade, e muitas vezes por coisas básicas;

Sensação de cansaço constante, acompanhado de muita sonolência e diminuição da energia;

Entre estes, muitos mais.

Mas tudo isto é normal.

Vivemos numa sociedade hollywoodesca, onde quando a mulher engravida, o parceiro vibra estonteantemente, ela encontra-se sempre linda e maravilhosa com roupas resplandecentes. Quando o bebé nasce ela tem um corpo imaculado e vivem todos numa felicidade de contos de fada. Pois bem, a realidade, não é tão Woody Allen.

Para o nosso companheiro também é difícil aceitar e compreender o nosso universo (já em estado “normal” o é), que muitas das vezes o sentimento de partilha de felicidade só se dá quando o novo ser se torna visível, palpável. Até há quem não se interesse tanto nos primeiros meses de vida. Afinal só comem e dormem!

A gravidez e o nascimento são dos momentos mais marcantes das nossas vidas. Quer positiva, quer negativamente. Para isso aconselho a desabafarem, a fazerem-se entender a quem partilha estes momentos.

E acima de tudo, antes de mães, esposas, filhas, amigas, primas, sobrinhas e netas…somos Mulheres!

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